Semana da Água: Ceará mantém segurança hídrica mesmo com adversidades


O conjunto de ações da gestão hídrica cearense ampliou a garantia de oferta  e tornou o Ceará um Estado mais resiliente aos períodos de seca.

Comemorar o dia mundial da água, ou até mesmo a semana da água é um ritual que promove conscientização sobre a relevância da água para a nossa sobrevivência. Além disso, a data é um momento para lembrar a importância do uso sustentável desse recurso. Em 2021, a Organização das Nações Unidas (ONU) escolheu o tema Valorizando Água para nortear as celebrações.


No Estado do Ceará, a Secretaria dos Recursos Hídricos (SRH) em parceria com os órgãos Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), Superintendência de Obras Hidráulicas (Sohidra), Fundação Cearense de Meteorologia (Funceme), Companhia de Água e Esgoto (Cagece) e Defesa Civil, realiza um trabalho de monitoramento dos recursos hídricos em conjunto com a diversificação da matriz hídrica e diversas outras ações que tem o objetivo de evitar a falta de água nos municípios cearenses, mesmo com todas as adversidades climáticas.


A seca dos últimos anos trouxe consequências para o sistema hídrico do Estado, levando os principais reservatórios a exaustão de suas potencialidades e evidenciando a vulnerabilidade das captações de alguns sistemas adutores, situadas a fio ´água nos rios perenizados pelos reservatórios. Com isso, evolução observada no gestão hídrica resultou em uma sólida estrutura institucional de gestão e uma expressiva infraestrutura hídrica de açudes, poços, adutoras, eixos de integração entre as bacias hidrográficas e o controle do uso da água através das outorgas. O conjunto dessas ações ampliou a garantia de oferta hídrica e tornou o Ceará um Estado mais resiliente aos períodos de seca.



Pela experiência hídrica do Estado, foi proposto uma nova estratégia para o abastecimento de água dos núcleos urbanos do

Ceará, que, indiretamente, influenciará a dinâmica de oferta hídrica para os demais usos. O denominado Programa Malha D’água, foi idealizado a partir da experiência da implantação e operação do atual sistema de infraestrutura hídrica, observando, principalmente, as suas fragilidades. A proposta do Projeto é adensar a rede de adutoras, considerando todos os

centros urbanos do Estado, com captação realizada, diretamente, nos mananciais com maior garantia hídrica e implantação das ETAs junto a estes reservatórios para posterior adução aos núcleos urbanos integrados ao sistema.


Com o objetivo de ampliar a segurança hídrica do Estado, o  Projeto Malha D’água fará um cruzamento da malha de adutoras planejadas com as rotas dos carros pipa, buscando otimizar o traçado, considerando o dimensionamento dos sistemas, quando viável, a população rural mapeada, disponibilizando água em pontos de abastecimento e planejando pequenos sistemas adutores para atender as maiores concentrações populacionais. Desta maneira, o programa Malha D’ água trará uma redução, substancial, das rotas dos carros pipa, influenciando também a qualidade da água para atendimento rural difuso.


Segundo o secretário dos Recursos Hídricos Francisco Teixeira a gestão hídrica cearense trabalha com todos os recursos possíveis para garantir a segurança hídrica da população. “O Ceará possui diversificação da matriz hídrica assim como na energia, que se utiliza de termo, hidro, solar, etc. Com a água nós utilizamos o mesmo pensamento, de onde for possível nós vamos utilizar para garantir que não se tenha colapso. Existe uma equipe que se preocupa, monitora e busca sempre soluções para cada município”.


Águas do São Francisco e Cinturão das Águas


Concebido para viabilizar uma maior capilaridade das vazões transpostas pelo Projeto de Integração do Rio São Francisco em território cearense, o Cinturão das Águas – CAC garantiu a chegada das águas ao açude Castanhão e posteriormente a Região Metropolitana de Fortaleza, beneficiando mais de 4,4 milhões de cearenses. A outra parte da obra, que consiste nos lotes 03 e 04, vai representar um relevante aumento da garantia hídrica da Região do Cariri, a segunda em densidade demográfica e em importância econômica do Estado.



O Ceará foi o único a transferir água do São Francisco para um grande reservatório. A ação se fez através da obra estadual do Cinturão das Águas, que ainda terá outros ramais, que poderão levar as águas do Velho Chico para outros reservatórios importantes, abastecendo regiões estratégicas.


Alocação de Água 


A alocação Negociada de Água é concretização da operação participativa dos reservatórios. Esse modelo de gestão só veio a ser possível com a implementação da Política Estadual de Recursos Hídricos, que trouxe significativos avanços no processo de definição da operação dos açudes, isto é, da quantidade de água que esses açudes liberam através de suas comportas. As definições da operação começaram a ser descentralizadas, com a participação da sociedade local.


Fonte: Secretaria de Recursos Hídricos do Estado do Ceará